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Ainda vale a pena fazer faculdade? A resposta que pode mudar sua visão sobre educação e sucesso


Há 30 anos, essa dúvida não existia, mas o mundo mudou e o diploma é apenas o começo

 

As redes sociais estão cheias de histórias de bilionários autodidatas e promessas de cursos online que “transformam qualquer pessoa em especialista” em três meses. Ao mesmo tempo, empresas parecem contratar cada vez menos pela régua do diploma. Não é estranho que, em meio a tantas narrativas, a pergunta surja: ainda vale a pena fazer faculdade no Brasil?


Há 30 anos, essa dúvida não existia. Em 1990, apenas 1,5 milhão de brasileiros estavam no ensino superior, e 40% em universidades públicas. Ter um diploma era como ter um passaporte dourado: bastava apresentá-lo para o mercado abrir as portas.


Famílias se sacrificavam porque sabiam: formar um filho era o caminho mais seguro para mudar de vida. Naquela época, a equação era simples: diploma igual a emprego, e emprego igual a ascensão social.


Mas o mundo mudou. Hoje, são mais de 9 milhões de universitários, 87% em faculdades privadas. A democratização do ensino foi uma vitória social, mas trouxe efeitos colaterais: o diploma, sozinho, deixou de ser garantia de sucesso. O que antes era diferencial virou pré-requisito. Para as novas gerações, o canudo não é um troféu, mas apenas o ingresso para disputar uma corrida cada vez mais acirrada.


Para você

Os números, no entanto, continuam mostrando seu peso. Segundo a FGV com dados do IBGE (2024), quem tem ensino superior ganha, em média, 126% a mais do que quem concluiu apenas o ensino médio: R$ 7.094 contra R$ 2.441. O desemprego entre formados é 56% menor.


E, mesmo entre pessoas com a mesma nota no Enem, quem fez faculdade pública ganha 31% a mais, e na privada, 17%. Para a maioria dos brasileiros, essa diferença muda destinos. É a diferença entre sonhar com um futuro melhor ou passar a vida apagando incêndios financeiros.


Mas há uma pegadinha: nem todo diploma vale igual. Dados da Geofusion e da Cortex Intelligence mostram que apenas 1 em cada 10 recém-formados nos cursos mais populares consegue emprego formal compatível com a formação.


Em Psicologia, o índice despenca para 1,3%. Pedagogia, ciências naturais e veterinária também estão entre as áreas com menor empregabilidade imediata. Já cursos como tecnologia, engenharia, medicina e economia continuam entregando melhores retornos financeiros.


E aqui está a virada: em todas as áreas, o diploma é apenas o começo. Ele abre a porta, mas é a experiência, a especialização, o networking e a capacidade de resolver problemas reais que fazem você entrar – e ficar. A faculdade por si só não prepara ninguém para isso.


E há um erro que vejo com frequência: achar que basta fazer o curso, colocar no currículo e esperar ser chamado para uma entrevista. Esse tempo acabou. O mercado não contrata por carimbo. Contrata por quem entrega resultado, demonstra vivência e sabe se adaptar.


É por isso que não basta fazer faculdade. É preciso aprender a extrair valor dela. Algumas atitudes mudam completamente o jogo: Testar o mercado cedo. Experiências como estágios, projetos reais e freelas abrem portas e ensinam o que a sala de aula não mostra.


·         Escolher bem onde estudar. Antes de se matricular, pesquise onde estão trabalhando os formandos daquele curso e instituição. O LinkedIn revela a realidade do mercado com muito mais clareza do que qualquer peça de marketing.

·         Construir uma rede ativa. Eventos, fóruns e grupos da área conectam você ao presente do mercado e ajudam a descobrir oportunidades que não estão no mural da faculdade.


·         Se conectar com pessoas experientes. Na minha experiência, profissionais já estabelecidos adoram ajudar quem demonstra dedicação e interesse genuíno. Uma conversa com alguém que já percorreu o caminho pode encurtar anos de tentativas e erros.


·         Combinar formações. Em áreas como tecnologia, bootcamps e certificações específicas podem ter impacto imediato na carreira.


·         Desenvolver soft skills. A Michael Page mostra que 91% das pessoas são contratadas por habilidades técnicas e demitidas por comportamento. Comunicação, ética, resiliência e inteligência emocional são diferenciais reais.


·         Ter visão de longo prazo. O retorno da faculdade não vem no mês da formatura, mas ao longo de décadas. Quem espera resultado imediato se frustra.


No ensino técnico, o retorno costuma ser mais rápido e, em muitos casos, mais concreto. Dados do SENAI mostram que quem faz curso técnico tem 32% mais chance de conseguir emprego formal logo após a formação. No entanto, no Brasil, ainda carregamos um preconceito com o técnico, como se fosse uma escolha “menor”.


A Alemanha nos mostra o oposto: lá, o modelo técnico-dual é símbolo de excelência. Jovens alternam aulas com trabalho real em empresas, saem com experiência valorizada e são disputados pelo mercado. Enquanto aqui o técnico é plano B, lá ele é caminho de elite – e de sucesso.


A internet e o acesso ao conhecimento trouxeram algo novo: hoje é possível aprender sozinho muito do que antes só se aprendia em sala de aula. Mas isso exige uma disciplina e uma rede de contatos que pouca gente consegue construir isoladamente.

Faculdades ainda oferecem algo valioso: ambiente, trocas e conexões. Uma boa instituição funciona como um acelerador de networking e experiências.


A faculdade é uma das poucas ferramentas que ainda oferecem mobilidade real para quem não nasceu com vantagens. Ter recursos e contatos ajuda, claro, mas não substitui o aprendizado estruturado, a vivência acadêmica e a credibilidade que um diploma pode gerar. Para quem não tem essas vantagens, a faculdade pode ser o primeiro passo para construir essas pontes.


No fundo, a faculdade não garante nada – e é exatamente por isso que ela precisa ser encarada com estratégia. O diploma é só o chão, nunca o teto.


Ele dá acesso, mas não substitui ação, curiosidade e prática.


Você pode sair de uma boa faculdade sem rumo – ou de uma faculdade mediana com uma carreira promissora. Tudo depende de como você usa os quatro anos. Cada aula pode virar um insight aplicável. Cada trabalho pode virar portfólio. Cada professor ou colega pode abrir uma porta para algo maior.


A pergunta não é “vale a pena fazer faculdade?”. A pergunta é: o que você está disposto a fazer com ela?

 

 

Fonte: Estadão

Foto: Freepik

 
 
 

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