Falar sobre dinheiro com adolescentes pode transformar o futuro
- CeprevNews
- 10 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de set. de 2025

Conversar sobre dinheiro em casa ajuda jovens a ganhar autonomia, fortalece laços familiares e abre caminho para escolhas responsáveis
A adolescência é um momento-chave para formar hábitos e crenças que vão influenciar toda a vida financeira e emocional. Ensinar desde cedo noções de planejamento, consumo consciente e autonomia é um investimento que ref lete diretamente no futuro: quem aprende a cuidar do que possui tende a envelhecer com mais liberdade, tranquilidade e saúde mental.
— É muito importante abordar o tema nessa fase, mesmo que não tenha feito isso durante a infância. A adolescência é a última chance dos pais de transmitir determinados valores para os filhos. Depois, a tendência é que eles se tornem adultos e comecem a andar com as próprias pernas — afirma a pedagoga Clariana Barcelos, especializada em educação financeira infantil.
Uma mesada, a abertura de uma conta digital ou mesmo conversas práticas sobre receita e despesa podem ser ótimos pontos de partida. O mais importante, segundo Clariana, é que esse diálogo seja construído a partir do universo do adolescente.
— Sermões e discursos prontos dificilmente funcionam, e eles podem acabar achando o assunto chato e se afastando — explica ela.
Um exemplo prático é transformar o desejo de consumo em aprendizado. Se o jovem quer um tênis, os pais podem construir uma estratégia com ele para aquela compra. Quanto será preciso guardar por mês, de onde tirar o dinheiro e que concessões serão necessárias? Esse tipo de autonomia dirigida ensina sobre escolhas, prioridades e consequências.
— Na infância, usamos ferramentas lúdicas, como cofrinhos e brincadeiras. Na adolescência, a cola que une tudo é o diálogo, partindo das referências do próprio jovem — aponta a educadora.
A impulsividade típica dessa fase também precisa ser levada em conta. O córtex pré-frontal, responsável por decisões racionais, só se desenvolve plena mente por volta dos 25 anos. Isso torna os adolescentes mais suscetíveis a pressões externas.
Mas também é justamente nesse momento que muitos começam a pensar no futuro: qual faculdade seguir, se farão um intercâmbio, como será a carreira. Esse olhar pode e deve ser aproveitado para introduzir noções de planejamento de longo prazo.
Trazer os filhos para dentro do orçamento familiar é outro passo fundamental. Eles podem não estar preparados para conhecer todos os números, mas precisam entender, na medida de sua maturidade, quanto custa a conta de luz, o supermercado ou uma viagem.
— Se os pais não falam disso em casa, ele vai acabar aprendendo errado na internet, com inf luenciadores que ostentam ou mesmo com jogos online — alerta Clariana.
Olhar consciente
Nessa pedagogia do cotidiano, cada escolha se torna oportunidade de aprendizado. Decidir juntos o destino das férias, discutir por que abrir mão de um hotel mais caro pode significar investir em passeios ou deixar claro quanto tempo e trabalho foram necessários para juntar o valor de determinada conquista são discussões que contribuem para formar um olhar mais consciente sobre consumo.
Outro ponto destacado pela especialista é que a educação financeira não deve ser encarada como um simples cálculo de ganhos e gastos, mas como parte da educação socioemocional. O modo como lidamoscom o dinheiro tem ligação direta com nossas emoções. Da impulsividade ao consumir, ao medo de perder, passando pela gratidão ou pela frustração.
Isso significa que falar sobre esse tema pode abrir espaço para conversas mais profundas sobre ansiedade, expectativas e autoconhecimento. Quando o grupo de amigos ganha mais importância do que a família, esse tipo de diálogo pode se tornar um elo de aproximação entre pais e filhos.
Ensinar jovens a lidar com dinheiro, portanto, é oferecer ferramentas para que saibam cuidar do que têm, respeitar os esforços familiares, aprender a fazer escolhas responsáveis e trilhar o próprio caminho.
Além de formar adultos autônomos e conscientes, o resultado é muito mais perene do que se possa imaginar.
— Quando focamos em metas de curto prazo, estamos plantando a semente da disciplina, fundamental para um futuro longevo. Em todos os campos da vida — destaca Clariana.
Fonte: O Globo
Imagem: Freepik






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