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O preço que você paga por adiar o planejamento


Cada atraso financeiro pode dobrar o custo do imóvel, reduzir a aposentadoria pela metade e corroer o patrimônio na sucessão

 

Costumamos acreditar que adiar decisões financeiras não tem custo. Afinal, sempre parece haver tempo para resolver depois. Mas o adiamento é um dos erros mais caros que podemos cometer. O filósofo Arthur Schopenhauer já dizia que "a vida é curta demais para ser desperdiçada com adiamentos". No mundo das finanças, cada atraso se transforma em dinheiro perdido —e não apenas em oportunidades adiadas.


A compra do imóvel mostra isso de forma clara. Poucas famílias se preparam para essa aquisição e acabam no financiamento. Em prazos longos, o imóvel pode custar quase o dobro. Um apartamento de R$ 600 mil financiado em 30 anos a 9% reais ao ano ultrapassa R$ 1,1 milhão em pagamentos.


Como o imóvel representa de 30% a 50% do patrimônio dos brasileiros, a diferença de R$ 500 mil não é apenas uma conta mal feita: é um corte na capacidade de poupança. Se investidos a 6% reais ao ano em 30 anos, esses mesmos R$ 500 mil gastos se transformariam em mais de R$ 1 milhão. Ou seja, por não planejar a compra, paga-se mais no presente e se perde ainda mais no futuro.


Na aposentadoria, o impacto é ainda maior. Quem começa a investir cedo tem o tempo como aliado. Aos 30 anos, aportando R$ 2.000 por mês a 6% reais ao ano, chega-se aos 65 com cerca de R$ 2,7 milhões a valores de hoje. Se começar apenas aos 40, o valor cai para R$ 1,3 milhão. Uma década de adiamento custa mais metade do montante para aposentadoria.


Essa diferença se explica pelos juros compostos. Quanto mais cedo se começa, mais tempo o capital tem para crescer. Quem adia precisa poupar muito mais para alcançar o mesmo resultado, mas raramente consegue, pois a vida adulta já carrega despesas que limitam esse esforço.


Na sucessão patrimonial, o adiamento também pesa. Muitos evitam o tema, mas os custos se acumulam. Entre impostos, honorários e processos de inventário que no Brasil duram de um a três anos, as perdas podem chegar a 30% do valor total. Em um patrimônio de R$ 5 milhões, isso pode significar R$ 1,5 milhão a menos para a família.


O problema não é só o custo financeiro. A ausência de planejamento deixa a família sem liquidez imediata e sujeita a vender ativos em momentos ruins, além de abrir espaço para disputas entre herdeiros. O que poderia ser uma transição tranquila se transforma em desgaste e perda de valor.


Essa tendência de adiar não é exclusiva do Brasil. Estudos internacionais mostram que mesmo em países desenvolvidos muitas famílias não planejam sucessão ou aposentadoria de forma adequada. Psicólogos chamam esse comportamento de "desconto hiperbólico": a tendência de dar mais valor a recompensas imediatas do que a ganhos futuros muito maiores.

O resultado é visível: mais de 30% das famílias brasileiras comprometem parte da renda com dívidas de consumo, segundo a Confederação Nacional do Comércio. Compramos por impulso, acreditando ser apenas um detalhe, mas cada parcela a mais é um passo para longe da estabilidade.


Os exemplos mostram que adiar não é gratuito. No imóvel, o preço é pagar o dobro. Na aposentadoria, é reduzir pela metade o patrimônio. Na sucessão, é permitir que até um terço da riqueza se perca em impostos e disputas.


Planejar cedo não elimina imprevistos, mas impede que eles definam o rumo da vida financeira. É organizar prioridades para que sonhos não se tornem fardos. Schopenhauer estava certo: a vida é curta demais para ser desperdiçada com adiamentos. Especialmente os financeiros.

 

 

Fonte: Folha de São Paulo

Foto: Freepik

 
 
 

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