Organização financeira impacta a vida emocional e econômica dos casais
- CeprevNews
- 15 de set. de 2025
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Planejamento a dois reduz brigas, fortalece a parceria e ajuda a construir uma vida em família mais duradoura e feliz
A maneira como um casal administra o dinheiro não influencia apenas o saldo bancário no fim do mês. Ela também é determinante para a qualidade da convivência, o nível de confiança entre os parceiros e a capacidade de planejar o futuro. Conversar sobre finanças dentro de casa, portanto, é falar de saúde emocional, de estabilidade familiar e de longevidade da relação.
Segundo a educadora financeira Aline Soaper, que há duas décadas orienta casais e famílias em sua organização financeira, o erro mais comum é acreditar que abrir uma conta conjunta, sem planejamento e sem respeitar as individualidades, é a melhor maneira de lidar com as questões financeiras da família.
— Quando duas pessoas colocam e retiram dinheiro do mesmo lugar sem controle, o gerenciamento fica confuso e gera mais brigas do que benefícios — explica ela.
Para a educadora, o modelo mais saudável é aquele em que, depois de fazer o orçamento familiar, o casal abre uma conta para as despesas comuns e ambos depositam mensalmente valores referentes à metade de seus rendimentos.
Aqui, é fundamental que a parcela destinada às despesas da casa seja proporcional à renda de cada um e que os parceiros mantenham sua conta individual ativa.
– Assim, ninguém carrega mais peso do que o outro, e as duas partes preservam a autonomia para realizar desejos pessoais — pontua Aline.Esse modelo, garante a especialista, ajuda a evitar desgastes cotidianos, que, acumulados, podem abalar a relação. É o caso de pequenas discussões sobre compras não combinadas, ou sobre o que pode ou não ser considerado supérfluo.
— O que é prioridade para um pode não ser para o outro. Se não existe clareza nesse acordo, surgem cobranças, ressentimentos e brigas — diz Aline.E se o orçamento doméstico for contemplado e sobrar dinheiro?
Na visão da especialista, valores excedentes devem ser usados para fazer reservas de emergências e outros investimentos que contemplem o casal, como viagens de férias ou a compra de um imóvel.
“Mesada do casal”
Quando o dinheiro é apertado e vai todo para cobrir as despesas da casa, sem sobrar nada para gastos individuais, a dica é criar o que Aline chama de “mesada do casal”. Trata-se de um valor reservado para cada parceiro usar sem precisar dar satisfação a ninguém.
— Quando há autonomia financeira, a autoestima cresce e a parceria se fortalece — afirma ela.
Outro ponto sensível é quando apenas um dos parceiros trabalha fora. Nesses casos, Aline defende que o outro também tenha acesso a uma quantia própria. Esse cuidado garante não apenas autonomia, mas proteção em situações imprevistas.
— A mulher que acompanha o marido em transferências ou para de trabalhar para cuidar das crianças precisa ter o próprio dinheiro para fazer suas coisas sem a necessidade de pedir e montar sua própria reserva de emergência. Caso contrário, pode ficar vulnerável em caso de separação ou mudanças inesperadas — alerta a educadora financeira.
Para quem é autônomo e não recebe um salário fixo todo mês, a recomendação é organizar as despesas com base na média de faturamento do semestre anterior, criando reservas para equilibrar períodos de menor receita.
— Não é o quanto se ganha que define a saúde financeira de uma relação, mas a forma como se administra — resume Aline.
Conforme a especialista, não existe fórmula única. O casal precisa encontrar um modelo que funcione de acordo com seu perfil, seu histórico e seus objetivos.
— Tem gente que prefere manter a vida financeira totalmente separada e combinar o que cabe a cada um pagar. Ainda assim, fazer o orçamento é fundamental, e as responsabilidades devem ser proporcionais às rendas — diz ela.
Mais do que liquidar as contas, a forma como casais lidam com o dinheiro revela valores, prioridades e expectativas de vida. É nessa interseção que mora a verdadeira parceria. Autonomia, transparência e planejamento são peças-chave não só para a saúde financeira, mas para a harmonia emocional e a longevidade — tanto da relação quanto da própria vida. Conviver em paz, com estabilidade e confiança, afinal, também é uma forma de investir no futuro.
Fonte: O Globo
Imagem: Freepik






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