Quem nunca bateu o carro acha que todo seguro é custo desnecessário
- CeprevNews
- 15 de ago. de 2025
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No Brasil, o seguro de vida é pouco compreendido e muitas vezes só valorizado quando já é tarde demais
O filósofo francês Voltaire dizia que "a incerteza é uma posição desconfortável, mas a certeza é absurda". Quando falamos sobre o futuro, especialmente sobre a proteção da família, não há afirmação que caiba melhor. Mesmo assim, muitos agem como se a vida viesse com garantias.
Neste mês, um amigo me procurou para contratar um seguro de vida. Ele tinha feito um exame de saúde e percebeu que precisava assegurar a família. Ele já tinha boa renda e alguns investimentos, mas percebeu que não seriam suficientes para proteger a família. Entretanto, seu seguro foi recusado pelas seguradoras. Motivo? Nenhuma aceitou o risco do problema de saúde que ele acabara de descobrir. Ou seja, ele quis contratar quando já não podia mais.
No Brasil, o seguro de vida é mal compreendido, mal usado e, muitas vezes, mal vendido. Frequentemente, é empurrado como ferramenta de troca em pacotes bancários —quase uma venda casada—, não como parte de um planejamento patrimonial. Acaba sendo visto como custo acessório, não como instrumento essencial de proteção e alavancagem.
O preconceito é alardeado, em parte, por quem nunca precisou. Assim como há quem nunca tenha feito seguro de carro por nunca ter batido ou sido roubado, muitos desprezam o seguro de vida por nunca terem enfrentado uma perda ou um imprevisto financeiro grave. Só que, diferentemente de um carro, a vida não tem peça de reposição.
Imagine um jovem casal em que apenas um dos cônjuges sustenta a casa. Esse amigo tem 35 anos e um filho de um ano. Com uma renda familiar de R$ 15 mil, é fácil estimar que pelo menos um terço —ou R$ 5.000 mensais— vá para as despesas básicas dessa criança: escola, saúde, alimentação, moradia. Para garantir esses custos até os 24 anos do filho, o valor presente necessário seria em torno de R$ 750 mil.
Agora imagine que, por R$ 1.100 mensais, esse pai pudesse contratar um seguro que garantisse o dobro desse valor e ainda pudesse servir como reserva de valor blindada e para a sucessão. Sim, ele pode resgatar no futuro a soma de todas as contribuições corrigidas e com retorno. Esse instrumento existe.
E, mais importante do que o valor final, ele garante algo que poucos investimentos proporcionam: a disciplina. Porque o boleto chega. E, enquanto a fortuna ainda não foi construída, o seguro já entrega um patrimônio protegido desde o primeiro mês.
Muitos pais que me procuram dizem querer montar uma reserva para os filhos para pagar uma faculdade ou deixar um começo de vida. Mas não percebem que o melhor caminho pode não ser guardar dinheiro pouco a pouco, mas, sim, usar uma ferramenta que alavanque o patrimônio enquanto ele ainda é pequeno.
Sim, é verdade que, se ao longo desses 23 anos nada acontecer e o pai aplicar o valor do seguro num bom investimento, ele pode terminar com mais. Mas esse "se" é a incerteza de que Voltaire nos lembra. E, se o objetivo é proteger a família, a lógica não deve ser maximizar o lucro, mas garantir que, na pior hipótese, eles estarão bem.
A vida não dá aviso prévio. E, quando o inesperado acontece, não há investimento que se monte da noite para o dia. Seguro se faz quando se pode, não quando se quer. E quem enxerga isso antes do susto transforma o cuidado em patrimônio.
Fonte: Folha de São Paulo
Foto: Freepik






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