Como a carreira das mulheres impacta na aposentadoria: planejamento é essencial, aponta especialista
- CeprevNews
- há 6 dias
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Fatores como maternidade, trabalho informal e pausas na vida profissional influenciam diretamente no valor do benefício
Quando o assunto é aposentadoria, as estatísticas revelam o que muitas brasileiras já sabem na pele: chegar ao benefício é mais desafiador para elas. Entre jornadas duplas, carreiras interrompidas pela maternidade e trabalho informal, a linha de chegada, que já é longa, se torna ainda mais sinuosa. E, no fim da corrida, o valor do benefício costuma ser menor.
"Há uma série de fatores estruturais que dificultam o acesso pleno das mulheres à Previdência", diz a advogada previdenciária Helen Assad. "Muitas passam anos fora do mercado formal para cuidar dos filhos ou se veem obrigadas a aceitar ocupações sem registro, o que compromete diretamente a contagem do tempo de contribuição", destaca.
A informalidade é um dos principais entraves para a aposentadoria das mulheres. Segundo o IBGE, cerca de 40% das brasileiras ocupadas estão em atividades sem registro formal. Sem contribuições regulares ao INSS, muitas enfrentam dificuldades para comprovar o tempo necessário para se aposentar, desafio que se intensificou após a reforma da Previdência de 2019, que aumentou as exigências de idade e tempo de contribuição.
A maternidade, por sua vez, embora seja protegida por políticas públicas pontuais, ainda gera impacto no percurso previdenciário. "Interrupções na carreira para cuidar dos filhos são comuns e nem sempre contabilizadas como tempo de contribuição. Isso leva muitas mulheres a adiar o pedido de aposentadoria ou aceitar valores mais baixos", afirma Helen.
A especialista ressalta que existem estratégias legais para minimizar esses efeitos, como o pagamento retroativo de contribuições em certos casos e o uso do tempo rural ou de trabalho informal com documentação complementar. Mas a informação é chave. "Muitas mulheres só vão buscar orientação quando estão prestes a se aposentar, quando já há pouco a fazer. O ideal é começar a planejar cedo, mesmo em meio aos desafios do dia a dia", explica.
Cuidar da aposentadoria é, antes de tudo, um gesto de autonomia. Informar-se, planejar e buscar os próprios direitos deixa de ser apenas uma estratégia para o futuro, e se torna uma forma de se proteger no presente. Em um sistema que ainda carrega desigualdades de gênero, entender como ele funciona é um passo concreto para transformar o lugar da mulher dentro dele.
"A aposentadoria pode parecer um tema distante, mas ela começa a ser construída muito antes do pedido oficial. Cada decisão conta", conclui Dra. Helen.
Fonte: O Globo
Foto: Freepik
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