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A fusão do trabalho humano e máquinas inteligentes nas organizações. Você está preparado?

  • CeprevNews
  • 9 de jul.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 11 de jul.


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O assunto está no radar de todos os setores de atividades, e o desafio da escassez de talentos digitais está presente em todas as áreas do conhecimento

 

Em praticamente todas as áreas do conhecimento, houve um crescimento significativo da preocupação com a Inteligência Artificial (IA). Esse aumento não se limita ao campo da tecnologia, mas se estende a disciplinas como Direito, Medicina, Educação, Filosofia, Ciências Sociais, Artes e até mesmo Teologia. A IA provocou uma transformação transversal, exigindo reflexões éticas, políticas, sociais e filosóficas em todos os domínios do saber.


Embora a IA exista como campo de estudo formal desde 1956, quando o termo foi cunhado, suas ideias fundamentais são ainda mais antigas. Sem retornar à Antiguidade, basta voltarmos ao século XVII, quando filósofos como Descartes e Leibniz já especulavam sobre o pensamento como um processo mecânico. No século XIX, Ada Lovelace escreveu o primeiro algoritmo publicado destinado a ser processado por uma máquina — a máquina analítica de Charles Babbage — antecipando a lógica dos programas modernos.


Já os fundamentos da Inteligência Artificial moderna remetem a Alan Turing, que foi o primeiro a indagar se máquinas poderiam pensar. O Teste de Turing foi um experimento teórico por ele proposto, para avaliar se uma máquina podia exibir comportamento inteligente indistinguível do de um ser humano. “As máquinas podem pensar?” — é a pergunta que abre seu famoso artigo Computing Machinery and Intelligence (1950). Suas ideias são as raízes mais profundas da IA contemporânea.


Foi a partir de 2010, contudo, que ocorreu uma verdadeira explosão do deep learningbig data, assistentes de voz (como Siri e Alexa), diagnósticos médicos automatizados, carros autônomos, sistemas generativos como o ChatGPT, entre outros.


Na área educacional, não foi diferente.


Desde 1999, ou seja, há mais de duas décadas, dedico-me a atividades de ensino, pesquisa, publicação de artigos e aplicação de projetos em organizações relativos à Educação Corporativa (EC) no Brasil. Atualmente, essas atividades são desenvolvidas no âmbito do Programa de Gestão da Educação Corporativa da FIA (PROGEC-FIA).


Em todas as minhas áreas de atuação relacionadas à EC, a importância da Inteligência Artificial e a correspondente preocupação associada ao tema vem crescendo de forma notável.


O artigo “The Transformer CLO”, publicado pela Harvard Business Review (2020), discute uma profunda transformação no papel do Chief Learning Officer (CLO), ou Gestor de Educação Corporativa. Seus autores, Abbie Lundberg e George Westerman, identificam e definem o perfil do Transformer CLO, que vai muito além da responsabilidade por capacitações. Entre outros aspectos, os autores enfatizam que os CLOs devem liderar o desenvolvimento de competências digitais essenciais para preparar as organizações para um ambiente de transformação contínua. Essas competências não se limitam ao domínio técnico, mas envolvem mentalidade, comportamentos e fluência digital.


O artigo ilustra as argumentações com casos reais de várias empresas. Destaca, por exemplo, o caso do DBS Bank, que formulou uma estratégia para desenvolver, em todos os seus funcionários, sete habilidades vitais para um mundo digital: comunicação digital, metodologias ágeis, modelos de negócios digitais, compliance e riscos, pensamento de jornada, tecnologias digitais e pensamento orientado a dados.


As sete competências do DBS Bank revelam exatamente o que Lundberg & Westerman chamam de ‘competências digitais essenciais.


Nos projetos de consultoria que tenho realizado pelo PROGEC-FIA, para conceber e modelar Universidades Corporativas (UCs) ou Sistemas de Educação Corporativa (SECs), invariavelmente aparece, como uma competência estratégica a ser desenvolvida pela empresa, a Transformação Digital, o que dá origem à criação de uma academia ou escola dentro da UC.


Sempre atenta ao assunto, li recentemente o livro The Year in Tech, 2025: The Insights You Need, da Harvard Business Review (2024). Trata-se de um compêndio dos melhores artigos publicados pela HBR ao longo de 2024, sobre as tecnologias de maior impacto. O livro mostra que devemos esperar uma aceleração na tendência de fusão entre humanos e máquinas, impulsionada pelo papel cada vez mais abrangente da IA, em sinergia com outras tecnologias — da IA generativa ao futuro do trabalho, da biometria à computação espacial, de veículos elétricos à inovação industrial e sustentabilidade.


A obra traça um caminho claro em direção ao que os autores chamam de uma realidade empresarial “humanizada”, onde a fusão de humanos e máquinas inteligentes ocorre de forma integrada e em larga escala. À medida que essa convergência se acelera, novas oportunidades surgirão, juntamente com riscos crescentes.


Embora seja difícil prever o ritmo da mudança organizacional, os autores destacam que uma coisa é certa: “Este ano, você verá uma fusão crescente e contínua da tecnologia de IA e do trabalho humano em sua organização.”


Todos os artigos da coletânea são instigantes, e recomento a leitura, mas o capítulo que mais me interessou foi justamente o intitulado “Usando Academias Digitais para Preencher a Lacuna de Habilidades”, escrito por Rubén Mancha e Salvatore Parise.

 

Segundo os autores:

“Hoje, o problema que a maioria das empresas enfrenta ao executar sua transformação digital não é o acesso à tecnologia, mas a escassez de profissionais com habilidades em ciência digital e de dados. A demanda está crescendo mais rápido do que a oferta. Em outras palavras, o recrutamento só leva sua empresa até certo ponto. Para chegar ao fim do caminho, as empresas precisam se comprometer com treinamento e qualificação, dando aos funcionários oportunidades de aprender sobre tecnologias e espaço para experimentá-las (e fracassar).”


Eles acrescentam que, embora existam benefícios comprovados nos esforços internos de qualificação — como inovação, produtividade, transformação digital, engajamento e retenção de talentos — há também limitações. A aprendizagem autodirigida, por exemplo, pode aumentar a carga de trabalho dos indivíduos, sendo um esforço raramente reconhecido ou recompensado pelas organizações.


Em uma pesquisa conduzida sobre iniciativas de requalificação, os autores descobriram que as academias digitais estão entre as abordagens mais eficazes para eliminar a lacuna de competências digitais. De acordo com eles:

“Uma academia digital visa catalisar a forma como os funcionários interagem com a ciência digital e de dados, e liderar a transformação de processos, produtos e serviços.”


Eles destacam que, em geral, essas academias compartilham algumas características fundamentais:

·         São específicas para a cultura e a narrativa da empresa;

·         Ofertam programas educacionais altamente experienciais, levando em conta a dinâmica das equipes, apesar da diversidade de duração e conteúdo;

·         Abrangem toda a organização, atendendo desde novos funcionários até líderes e altos executivos;

·         Ajudam a criar e reforçar uma cultura de tecnologia e inovação, de forma que treinamentos genéricos dificilmente conseguem alcançar.


Os autores relatam cases de academias digitais desenvolvidas por empresas como DuPont, Gestamp e Deloitte, o que ajuda a compreender como essas iniciativas funcionam e o que é necessário considerar ao projetá-las.


As Academias de Transformação Digital destacadas no livro representam uma abordagem proativa e sistêmica para capacitação, alinhando o aprendizado às reais necessidades organizacionais atuais e futuras.


Em minha prática profissional vejo algo semelhante quando da estruturação de UCs que possuem Academias de Transformação Digital. Só acrescentaria que muitas delas também incluem criatividade, metodologias e aspectos comportamentais ligados à inovação. Com frequência objetivam promover de maneira integrada a inovação, a transformação digital e a inteligência de dados para a gerar valor para a empresa.


Como mencionado no início deste ensaio, o assunto está no radar de todos os setores de atividades, e o desafio da escassez de talentos digitais está presente em todas as áreas do conhecimento. Há um déficit que o recrutamento externo, por si só, não resolve. Por isso, as academias internas têm se mostrado uma solução eficaz.


E na organização em que você trabalha? Já existe uma Academia de Transformação Digital?Se existisse, você acredita que ela alavancaria seu sucesso profissional e sua carreira?


Fonte: Estadão

Foto: Freepik

 
 
 

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