Como calcular quanto é preciso investir para ter uma aposentadoria tranquila
- CeprevNews
- 18 de ago.
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Economista aponta cinco passos para quem quer garantir independência financeira no futuro: começar a poupar o quanto antes e ter planejamento são etapas essenciais
Com a expectativa de vida cada vez mais alta, o desafio de garantir uma aposentadoria confortável tornou-se ainda mais complexo. E começar a pensar nisso é cada vez mais urgente. Se no passado a previdência pública arcava com boa parte das despesas dessa fase da vida, é consenso entre especialistas que, atualmente, não dá para contar apenas com isso. Especialmente se o desejo for manter um padrão semelhante ao da época profissionalmente ativa. Como calcular, então, quanto é necessário juntar para garantir uma aposentadoria tranquila?
— Essa conta depende de muitos fatores: estilo de vida, idade de início dos aportes, expectativa de gastos e escolhas pessoais — explica a economista Izabel Rocha.
A especialista lista os cinco passos fundamentais para garantir conforto financeiro quando se aposentar.
Quem cuida da saúde física e emocional agora tende a gastar menos com médicos e medicamentos lá na frente. A longevidade com qualidade é uma construção”
— Izabel Rocha, economista
1 - Comece cedo
A regra de ouro é simples: quanto antes começarmos a pensar no futuro, menor o esforço mensal necessário.
— Se a pessoa faz isso aos 30 anos e pretende se aposentar aos 65, há um bom tempo para organizar a vida financeira — diz Izabel.
Nesse cenário, recomenda-se poupar 10% da renda mensal e investir de forma diversificada.
Para quem ganha mais de R$ 15 mil e tem como meta manter um alto padrão de consumo, o percentual de economia pode subir para até 30% da renda.
— O essencial é que o portfólio de investimentos seja bem estruturado para garantir uma rentabilidade média consistente ao longo do tempo.
2 - Reveja o lifestyle
O que define a aposentadoria ideal é o estilo de vida que a pessoa deseja manter. E isso requer autoconhecimento.
— Tenho clientes que ganham R$ 30 mil líquidos por mês e estão endividados porque mantêm um padrão de vida incompatível com o que recebem. Compram imóveis de R$ 1 milhão, assumem prestações significativas e continuam viajando todo mês e saindo para jantar fora três vezes por semana.
Sim, é preciso abrir mão de algumas coisas no presente para garantir um futuro livre de preocupações financeiras. E cortar excessos não significa viver com privações.
— Não se trata de eliminar lazer, que é fundamental para o bem-estar, mas de ajustar escolhas — aponta a economista.
Trocar duas viagens internacionais por uma e aquele fim de semana na serra por passeios diferentes dentro da cidade são pequenos ajustes que não vão deixar ninguém mais triste.
3 - Planejar é preciso
Não dá para saber quanto é necessário juntar, se você não tiver claro o cenário da aposentadoria desejada. Por isso, a importância de saber exatamente onde você pretende morar, qual o custo de vida desse local e quais despesas precisarão ser assumidas.
— Muitos esquecem, por exemplo, de incluir o plano de saúde na conta porque trabalham com carteira assinada e têm esse benefício pago pela empresa. Na aposentadoria, o custo é individual e precisa entrar na previsão de gastos — explica.
4 - Tudo faz diferença
Planejar financeiramente o futuro é essencial; não diz respeito apenas a guardar dinheiro e fazer aplicações variadas. Investir em saúde física, mental, relações sociais e propósito de vida farão uma baita diferença nas contas futuras.
— Quem cuida da saúde física e emocional agora tende a gastar menos com médicos e medicamentos lá na frente. A longevidade com qualidade é uma construção — afirma a especialista.
A própria família de Izabel ilustra essa visão.
— Meu pai tem 77 anos, vai à academia, tem uma alimentação saudável e trabalha na loja de doces da família. Ele tem uma vida ativa e uma rede de amigos sólida. Isso muda completamente a experiência da aposentadoria — conta.
E ainda custa menos.
5 - Atenção às prioridades
É fundamental ter em mente que uma aposentadoria tranquila é fruto de escolhas conscientes, disciplina financeira e uma visão realista sobre o futuro.
— Não importa se sua renda mensal é de R$ 1 mil ou de R$ 100 mil, o dinheiro é sempre limitado. A pergunta que costumo fazer é: “O que você vai priorizar para construir o futuro que deseja?”.
Fonte: O Globo
Foto: Freepik
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